RENOVAÇÃO NO CONSELHO DE LEITORES
O Conselho de Leitores do Jornal Valeparaibano será renovado no mês de janeiro de 2009. Novos conselheiros assumirão a função de apontar, no jornal, o que de melhor e pior existe, buscando uma maior qualidade no jornalismo regional.
Depois de dois anos representando os leitores do jornal Valeparaibano da cidade de Taubaté, a editora da RENOI-VP, apresentou uma carta na última reunião do Conselho avaliando sua participação. O documento é o primeiro de uma série de artigos a serem publicados aqui e que darão conta dos principais assuntos que afligem a mídia impressa do Vale do Paraíba.
Um aprendizado para toda a vida
Por Ângela Loures
Participar do Conselho de Leitores do Jornal foi uma nova e gratificante experiência para mim, tanto pessoal quanto profissional. Como não é usual que os jornais abriguem esta modalidade de Crítica de Mídia, eu só a conhecia conceitualmente, relatada nos livros que li sobre o assunto. Mesmo sendo jornalista e professora, creio que entrei no Conselho, portanto, como todos os outros membros: cheia de expectativas.
As primeiras reuniões foram importantes momentos de adaptação, pois só conhecia anteriormente os colegas jornalistas e não sabia exatamente como as criticas e sugestões seriam aproveitadas pelo jornal. O editor chefe do Valeparaibano, Hélcio Costa, apresentou-se como um excelente “guia” nestas reuniões. Foi ele que nos instigou a falar sobre este ou aquele assunto, levantando questões e deixando que desenvolvêssemos nossa análise. A presença nas reuniões de repórteres e de editores de área também facilitou nosso trabalho, uma vez que a cada encontro direcionava nosso olhar para um caderno ou editoria. Assim, fomos incorporando a rotina de confecção do jornal e entendendo o mecanismo complexo que envolve sua publicação.
O aprendizado foi grande mesmo para quem já passou por diversos veículos e funções dentro de um jornal, como eu. O conhecimento que adquiri sobre o perfil dos leitores e mesmo sobre o dos jornalistas do Valeparaibano foi imprescindíveis para que eu construísse uma imagem mais completa da mídia regional, uma vez que, apesar de já ter morado em Jacareí e atualmente residir e trabalhar em Taubaté, ainda tinha um olhar de “forasteira”.
As reuniões foram se sucedendo, os membros do Conselho foram se soltando e naturalmente assumindo um foco para sua análise mensal. Alguns se preocupando mais em sugerir pautas e discutir suas abordagens, outros indicando ações que o jornal poderia tomar para dar mais qualidade redacional aos textos, design ou procedimentos internos. A gente se metia em tudo (risos), mas afinal, não foi para isso mesmo que fomos chamados?
O fato é que, por muitas vezes, senti que as criticas e sugestões expostas realmente faziam a diferença, eram levadas a sério, e ainda que demorassem uma ou duas reuniões, sempre havia retorno do que estava sendo feito para sanar o problema ou empreender a ação sugerida. Enfrentamos alguns períodos de ceticismo, momentos nos quais não acreditávamos que nossa presença era realmente válida, mas foram raros, pelo menos do meu ponto de vista. Normalmente, ao sair da reunião mensal, a sensação que me tomava era a de estar contribuindo para que o leitor tivesse nas mãos uma informação de qualidade.
Dois anos se passaram e, das muitas coisas que consegui registrar sobre as deficiências que apontamos no jornal, posso destacar a superficialidade com que alguns assuntos eram tratados (problema que hoje acredito ter diminuído significativamente com o esforço dos jornalistas em produzir reportagens especiais, mais completas e aprofundadas); a cobertura deficiente que o jornal dava ao noticiário de Taubaté (sanado com a ampliação da sucursal, o aprofundamento da cobertura e o lançamento da capa especial de Taubaté) e a falta de acessibilidade do site do jornal (muito bem resolvido com a mudança do layout e da estrutura de informação do site).
Mas nem todos os problemas foram resolvidos e é por isso que, ao término do mandato do nosso grupo de conselheiros, acredito que reste ao novo grupo de leitores que assumirá a função muito a fazer. Sob o meu ponto de vista, o caderno de variedades Valeviver ainda se pauta muito pela agenda do dia, desenvolvendo poucas reportagens aprofundadas, interpretativas ou até mesmo com linguagem literária, quando seria um espaço especial para este tipo de produção que, creio, interessaria ao leitor. A produção científica das universidades instaladas na região também tem pouco destaque no Valeparaibano, e isso é particularmente preocupante para mim, pois como professora universitária vejo que o espaço destinado ao assunto educação (como acontece também com a cobertura de outras áreas, infelizmente), resume-se a anunciar mazelas, problemas, deficiências. Não é que se deva omitir a noticia ruim, não se trata disso: trata-se apenas de tentar publicar um pouco mais de “trigo” no meio de tanto “joio” diário, ou seja, dar ao leitor a oportunidade de saber que coisas boas também acontecem na região e que o jornal não se atem a publicar noticia ruim.
Acredito, ainda, que o Valeparaibano deve investir em capacitar ainda mais seus jornalistas, pois a evolução da sociedade e, consequentemente, da mídia, requer profissionais com treinamento cada vez melhor e essa função não cabe somente à universidade, mas também à empresa. Um passo para isso já foi dado com a implantação do estágio para estudantes de Jornalismo, mas ainda restam lacunas que podem ser preenchidas se a parceria entre as universidades que oferecem o curso de Jornalismo em nossa região e o jornal fosse mais freqüente e fecunda.
Por fim, faço um balanço positivo da iniciativa do Valeparaibano de instituir o Conselho de Leitores e, ainda que muitos a considerem estratégia de marketing do jornal, acredito de verdade que isso pouco importa para o leitor, mais preocupado que exista uma real contribuição na melhoria da qualidade da informação veiculada. No final das contas é isso que interessa: garantir que o produto final seja de qualidade e que contribua para melhorarmos nossa sociedade.
Aos novos conselheiros desejo-lhes primeiramente paciência, pois ela lhes será útil quando algumas reuniões se tornarem chatas e repetitivas ou quando tiverem que deixar seus afazeres e compromissos pessoais de lado para participar de algo que, aparentemente, não lhe traz benefício direto (afinal, nenhum de nós ganha salário para fazer critica de mídia). Creiam: vai valer a pena. Desejo-lhes, também, que sejam perseverantes nos seus propósitos e que tentem, a todo custo, fazer com que a informação seja mais cidadã e menos mercantilista. Finalmente, rogo que sejam humildes o suficiente para ouvir o que cada um dos colegas do Conselho tem a dizer, independente da classe social ou formação que possuam, pois minha experiência mostrou que em um conselho com pessoas de origem tão diversa como este, foi com o leitor mais “comum” que mais aprendi sobre jornal. Por isso, reafirmo minha convicção de que minha experiência no Conselho de Leitores marcou significativamente minha vida e espero que marque positivamente a de vocês também.
Boa sorte!
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