Jornalismo de manchetes
Teresa Carolina Pinto Cepinho da Cunha Souza*
A megapopularização da informação por meio da internet há muito tem provocado inúmeras discussões. Os assuntos e opiniões multiplicam-se à medida que o sucesso de acessos a sites de notícias prova ser contínuo e crescente. A pauta mais moderna é a interatividade e a facilidade que os usuários encontram para publicar qualquer que seja a notícia ou opinião. Mas acredito que as discussões devem começar a um passo antes da interatividade.
Os veículos de informação no ciberespaço, visando atender a uma sociedade cada vez mais valorizadora da praticidade e, por conseqüência, da superficialidade, encurtam os textos, reformulam a linguagem e acabam por educar um contingente cada vez maior a ler manchetes. Atualmente, estar informado para muita gente é entrar nos sites de notícias e ler a atualização do minuto – ou do segundo.
Além da superficialidade da informação que os usuários muitas vezes recebem, é possível questionar também a qualidade. As chamadas de cinco palavras e os pequenos drops nem sempre trazem elementos básicos do jornalismo ético, como os dois lados da história, o parecer de autoridades, interpretação dos fatos, versões oficiais e finais sobre o ocorrido.
A qualidade se torna ainda mais questionável quando lembramos que há uma concorrência grande entre as agências de notícias, que alimentam os sites, provocando os jornalistas a disputarem o pioneirismo em cada assunto segundo a segundo. A rapidez que deles é exigida, causa apuração pobre, uma enxurrada de informações preliminares e muita confusão. Explico: como dar o “furo” mais rápido acaba sendo o mais importante na rotina diária, é comum que antes do término de uma investigação policial, antes de um laudo sobre um acidente, uma morte etc, a notícia já seja dada, especulando-se as suas causas e desfechos. Isso, é claro, às vezes faz com que a mídia cometa injustiças.
Vimos esse fenômeno acontecer recentemente, quando a aeronave da Tam chocou-se contra o escritório da própria empresa, no perímetro do aeroporto de Congonhas. Antes que um laudo oficial saísse, mesmo que preliminar, os sites exibiam imagens chocantes e levantavam suspeitas sobre a falta de acabamento da pista, onde o avião havia perdido o controle. Alguns dias depois, os “culpados” oscilavam entre a pista, a má manutenção feita pela Tam, o “ineficiente” e “inseguro” manual da Airbus e até os falecidos pilotos. Apontar culpados ou mesmo suspeitos já provou ir de encontro à ética e à essência do Jornalismo. É redundante citar o caso da Escola Base.
A favor da chegada da informação rapidamente, acredito que todos somos a favor. Mas antes de velocidade, o importante é que o Jornalismo cumpra seu papel e seja para a sociedade um benefício. Já dizia a máxima, muito repetida, “fazer jornalismo é informar para formar”.
*Aluna do 3º ano de Jornalismo da UNITAU.
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