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Sem precisão, como se pode informar?Mauro Ribeiro - Estudante do terceiro ano de JornalismoHá algumas semanas levei aos meus colegas estudantes de Jornalismo um desafio: encontrar o erro no texto de um editorial publicado em um jornal de minha cidade, Campos do Jordão. O editorial está assinado (procedimento incomum ao gênero editorial) pelo editor do Jornal de Campos do Jordão & Cia, um periódico semanal com tiragem de sete mil exemplares. No texto, o editorialista critica a atuação do governo federal no recente episódio do gás, em que o presidente da Bolívia, Evo Morales, estatizou a unidade da Petrobrás que prospecta e produz gás natural em território boliviano, alegando defender suas reservas naturais e propondo renegociar as tarifas cobradas na comercialização do combustível. As primeiras investidas dos desafiados em busca do erro consistiram na investigação de gramática e ortografia, ou seja, no uso correto da língua portuguesa. No entanto, após encontrarem vírgulas mal colocadas e outros deslizes na composição textual, assustavam-se com a constatação do grande pecado do editorial, que trocava, na crise do gás, a Bolívia pela Colômbia. No decorrer do texto a Colômbia é citada cinco vezes, sendo tratada como o páis onde se deu toda a situação do gás natural. Dados estatísticos são levantados como no trecho “ Isto é, 75% de todo gás natural consumido em São Paulo e 100% do que se consome nos estados do sul...” repetem a confusão. Até uma fala do presidente da república é distorcida em função da crença do editor: “a Colômbia tem todo o direito de resguardar suas reservas naturais, pois é soberana”. Dir-se-á que não é um erro tão grave assim, que se trata de um erro de digitação. Lê-se Bolívia onde se escreveu Colômbia e pronto. Mas não há salvação para o texto. O redator teima em afirmar que se refere mesmo à Colômbia: “ Na realidade, tornamo-nos reféns da energia alternativa da Colômbia, um país que não goza nem um pouco da confiança por parte da comunidade latino-americana(...) Trocar o país em que aconteceram e estão acontecendo questões de interesse direto do Brasil e de toda a América Latina é ainda mais imperdoável para um editorial, que tem a função de trazer discussões aprofundadas e expressar a opinião do veículo. Trata-se de um jornal modesto, cuja equipe é composta por pouquíssimos profissionais, mas ainda assim não podemos deixar de registrar que nesta oportunidade o jornal contribuiu para a desinformação da população, quando sabemos que a função do bom jornalismo é exatamente o contrário: devemos apurar bem as informações para transmiti-las de forma correta aos nossos leitores. O erro prosseguiu na edição seguinte, pois nenhuma errata (ou qualquer tipo de explicação) foi publicada sobre o erro, o que fere ainda mais a responsabilidade jornalística do veículo. É importante ressaltar que nosso objetivo em registrar essa crítica ao veículo é a de contribuir para a publicação melhore em qualidade e seja alvo, em artigo futuro, de críticas positivas a respeito do material jornalístico que produz. |